CURITIBA. ÂNUS NA FRENTE.

Surrupiamos a célebre frase de Luiz Rettamozo para lembrar que: dos 319 anos que Curitiba completa amanhã, os primeiros 160 foram como cidade paulista.

***

Fundada em 1693, a vila, depois cidade, pertencia à província de São Paulo. Isso até 1853, quando ocorreu a emancipação política do Paraná.

***

Apenas 159 anos da história da cidade são paranaenses: menos da metade do número de velinhas no bolo desta quinta-feira.

***

Isso explica muita coisa.

***

Não é à toa que, ainda hoje, se alguém que não usa gravata todo dia é visto usando, das duas uma: ou ligar pra São Paulo ou fazer exame de fezes. Todo mundo aqui em Curitiba sabe disso.

***

Ou não?

***

Então eles que aproveitem, aqueles senhores e senhoras reclamões autodepreciativos, reservas morais dos bons costumes repressivos, bolsões de risinhos amarelos desprezantes e desprezíveis. Que sentem uma espécie de orgulho invertido ao apontarem sempre que possível o supostamente eterno provincianismo dos curitibanos. Reclamem e apontem seu dedo duro à vontade para qualquer iniciativa mais livre (ousada é uma palavra tão gasta…) de seus concidadãos. Mas façam isso rápido. Vocês não têm muito tempo.

***

***

2012 é o fim do mundo para nossa vida de ex-paulistas exilados numa terra inculta e cinza longe dos bons restaurantes.

***

Ano que vem, a cidade faz 320. Ficam 160 pra São Paulo, 160 pro Paraná. O jogo empata. A balança equilibra. Estamos quites. Daí pra frente é tudo nosso.

***

Capital do Paraná. O que será que isso quer dizer? Que diferença isso faz? Que diabo de homenagem é essa? Falar nisso é pecado?

***

Uma velha Curitiba morre hoje. Somos gratos a ela. Que descanse em paz.

***

Uma nova Curitiba está nascendo agora, com mais gente disposta a criar, solucionar, superar e aproveitar e se divertir do que a reclamar.

***

Este é o último 29 de março do resto da vida daquela. E o primeiro da nossa.

***

Muitas felicidades, Curitiba, meu amor.

*

*

E, à guisa de comemoração, nessa véspera de aniversário que também é véspera de campanha eleitoral, um trecho de Preponderância do Pequeno, novo romance de Antonio Cescatto, que conta uma história tensa e hilária sobre uma dessas campanhas. Médico abstêmio e publicitário praticante, ele lançou este seu segundo volume de ficção pela Kafka, a mesma editora do Luis Felipe Leprevost, do Manoel Carlos Karam, que está tomando uma Heineken no paraíso, e do Paulo Sandrini. E isso só como um exemplo das muitas outras pessoas que expressam a mudança nesta cidade principalmente pelo fato de continuarem aqui, vivendo, se expressando, publicando, dando novas formas para um nosso velho mau humor ir brincar.

***

“…

Que diabos sei eu sobre o que acontece?

                Tentei ser polido.

                Sem deixar de ser franco. Vim de coração aberto. Coração aberto? Apaguei. Era melhor: com boa vontade.

                Encontrei portas fechadas. Reuniões a portas fechadas. Conversas a portas fechadas. Comecei a sonhar com     portas fechadas.

                Não cheguei a tanto. Limitei-me a mencionar as portas fechadas.

O Pasquale e o Tito passaram o dia enfurnados. Não vejo as caras. Faço roteiros sobre roteiros e repasso. Na maior parte das vezes, Pasquale nem olha. Noutras, lê e guarda. Não participo das discussões de estratégias. Não discutimos caminhos. Colho informações que tento roteirizar.

                Eu sei. Divagava. Começava a me perder.

                Fora isso, tenho dúvidas sobre a estratégia. A história de falar que o modelo da cidade é ultrapassado. A insistência na ideia da mudança.

                Essa parte eu não escrevi, claro. Limitei-me a criticar a estratégia de Homero Furtado.

                Nesse tempo eu não entendia ainda que não se critica a estratégia de Homero Furtado.

                Segue-se a estratégia de Homero Furtado.

                …”

Preponderância do Pequeno, de Antonio Cescatto – Kafka Edições, Curitiba, 2010.

Vira o disco. Disse o marciano.

Era uma vez eu estudava na Uene Bê, comia no Erre U. O grupo de dança se apresentou de maneira inesquecível. Ocupou a entrada, uma área com um desnível na frente da entrada do restaurante, ao som de Amanticida, de Itamar Assumpção. Uma das bailarinas era particularmente inesquecível, por algo que emanava de suas curvas e das curvas que elas produziam.

Uma noite assisti a um show do Itamar num teatro cujo nome não lembro, no Eixo Monumental, pra trás da Torre. Sensacional. Energia, inteligência, ritmo, calor e clareza. Era excelente. Tinha um baterista gigante chamado Gigante Brasil.

Depois um dia aqui em Curitiba assisti a um show do cara no teatro do Portão. No dia seguinte fizemos, o Denis Nunes, o Oswaldo Rios, eu e mais unziotro uma oficina de música com poema e tal e coisa. Já tive uma vez um CD do Itamar interpretando Ataulfo Alves, que considero um dos melhores discos daquele artista brilhante que depois e ficou doente e cada vez mais mau-humorado com a resposta do mundo a seu trabalho. Também possuí três LPs com dedicatórias conseguidas naquela ocasião da oficina. Que se perderam em alguma mudança caídos de um caminhão como poesia que se perde na tradução do que uma pessoa era para o que é este que voz escreve. As pessoas não mudam, diz uma voz de seriado de TV na oitava temporada em benefício próprio. E isso também é verdade. E também só o que não muda é a mudança, dizia um pré-socrático.

Aquelas capas talvez eu encontre um dia num sebo e precise comprá-las de novo. Está escrito numa delas:

Ricardo

música não é pecado

poesia não é fardo

Itamar Assumpção

Se alguém encontrar, me dê um toque. Até lá, mantenho meu tocadiscos funcionando com Chico Buarque e Max Roach e Jorge Veiga. E ouço Ataulfo Alves, por Itamar, no grooveshark, que é excelente.

***

E ontem, há quinze anos, morreu o Chico Science. A respeito dessa figura especial da nossa história, uma vez publiquei

órfico science

da primeira vez que chico science desceu ao hades

onde mora o maracatu

subiu com um som de zumbis

da segunda vez não conseguiu

chegou                                  partiu

a cabeça em mil pedaços

na primeira vez que mergulhou no mangue

caranguejou-se

na segunda o cara anjou-se

decerto morreu olhando o mesmo mangue

caranguemusos sujos de sangue

seria siri sua euridicereia?

***

A despeito da voz que quer deletar este post antes de eu publicá-lo, publico

destreza

ambidestro

destruo

para dentro e para fora

para frente e para trás

para baixo para cima

à direita e à esquerda

vou destruindo tudo

pontes portos certezas

fim de mundo

até sobrar só o céu

a terra

e a tristeza

***



Etiquetado

Feliz Ano Novo Todo Dia

Essa música é linda. Foi M… ou seu amigo A… quem me mostrou. M… e eu, a gente se conheceu na aula de francês. No escuro dos anos oitenta, o primeiro disco dos Tears for Fears aquecia nossos croissants encharcados de poesia de língua inglesa.  Sentados na sala fechada da casa dos pais dela, a tarde passava lá fora e os vinis rodando espalhavam uma melanco-languido-lia que inundava o espaço e aquele pedaço de tempo e o que nos tocava era o amor (como nós o conhecíamos).

***

***

Hoje é dois de janeiro de dois mil e doze e eu nunca que pensava lá em 1983 que eu estaria aqui, assim, quase 30 anos depois. Parece totalmente irreal esse pulo. Dos departamentos de um curso engenharia eletrônica para o departamento de criação de uma tv educativa. Um caminho de labirinto que ainda não acabou. Dois de janeiro de dois mil e doze. O futuro é inconcebível. Daí pra no future é um pulo e de lá para agora é outro pulo quântico no mesmo lugar. A diferença é que a alma se modifica no processo. A alma, a consciência, não sei o nome disso que  veio do desespero de elevado peso molecular ao leve abandono contínuo e contumaz de todas as expectativas. Dois de janeiro de dois mil e doze. Só o amor, a lei da gravidade e o eletromagnetismo continuam nos unindo. O resto is a very very mad world.

***

Feliz Ano Novo, só por hoje.

Abração.

R

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NÃO CONFUNDA – Episódio de hoje: Trânsito e Opinião Pessoal

 

Da Série #1: “coisas estranhas encostadas para ver o que acontece”.

***

Não sinalizam. Agem como se dissessem o carro é meu eu pago IPVA e ando do jeito que quiser. Onde eu quiser. Na velocidade em que estiver afim. Na estrada, pista dupla, eles querem ficar só na pista da esquerda. Eu, se vejo no retrovisor um carro que não estava ali na última vez que eu olhei, imediatamente procuro sair da frente, com calma, para a direita, para que o sujeito passe logo de mim e pare de assombrar meu espelho. Aprendi com esses caras que ligar o pisca pra esquerda, quando você chega atrás de um carro que está ocupando a pista da esquerda, quer dizer por favor, deixe-me passar. Luz alta quer dizer sai da frente, animal, e só deve ser usada em caso de você estar cansado da vida e disposto a ter emoção a qualquer custo. O da frente pode se assustar, se ofender, se atrapalhar e isso tudo, a mais de cem quilômetros por hora, com outros automóveis em volta, etc etc etc. pode lhe custar os olhos da cara.

 

***

 

Quando era pequeno tinha grande poder de observar e gravar algumas informações, sensações, sentimentos. Como qualquer guri ou guria. Uma vez fui com meus colegas de turma fazer uma visita ao DETRAN. Devia ser no pré ou no primeiro ano, a gente era bem pequeno. Lembro de duas coisas: a merenda era estranha. Dizer merenda pra mim já diz tudo. Na minha escola, no jardim de infância e depois no colégio, a gente nunca tinha merenda. Tinha lanche. A bebida da merenda era um leite meio esquisito, com gosto docinho, lembrando talvez alguma fruta. Anos mais tarde, no tempo em que parei de beber leite e conheci o leite de soja, entendi que a o leitinho do DETRAN devia ser uma bebida de soja, talvez o que fosse servido em escolas que eu nunca frequentei. Não sei. No meu colégio tinha o Zé Eduardo, que sentava do meu lado e me dava uma metade do rissole de carne que a mãe dele mandava, sempre enrolado num papel alumínio. Era uma coisa muito gostosa. A minha mãe fazia uns sanduiches pra mim. Manteiga e presunto. Às vezes queijo. E uma garrafinha de Nescau. A garrafinha às vezes, molhava o sanduiche, virava no trajeto de casa até a sala de aula com o ônibus do Môto Nelson, um senhor magro, de cabelos e barbas brancas, bem ativo, parecia um capitão de uma nave com um motor que fazia um barulhão, vávulas de metal de abrir a porta com ar comprimido, bem barulhenta também, mais umas sei lá, 20, 30 crianças soltas, fazendo bagunça, jogando, fazendo e sofrendo bullying, e principalmente gritando muito. Não sei como ele agüentava. Parece um milagre não ter havido nenhum acidente muito mais grave que bater a boca no banco numa freada. O sanduiche, quando era de patê de sardinha, com o Nescau derramado, já depois de duas horas na lancheira, o cheiro quando eu abria… é o que em propaganda chamam de memorável.

 

***

 

Tudo isso pra dizer que nessa visita ao DETRAN, mais ou menos trinta e cinco anos atrás, aprendi que o certo é bicicleta andar pela rua, na contramão, pra poder ver se o carro que vem na mesma pista vai virar na sua frente, por exemplo. Se ele vem de trás é difícil, mesmo se a bike tiver espelhinho. E parece que hoje a regra é bem o contrário. Eu continuo achando que a regra antiga era melhor. E que andar de bicicleta na calçada também pode. E que uma coisa importante no trânsito é as pessoas se olharem. O ciclista, o pedestre, o motorista. Prestar atenção nas pessoas. É claro que lei ajuda. Sinalização ajuda. Capacete e meios de transporte mais seguros ajudam. Tribunais que consigam fazer cumprir as leis ajudam. Agora, tudo isso, se as pessoas se olharem, funciona muito melhor. Bicicleta na calçada, se eu não assustar as pessoas, não correr, acho que ajuda o trânsito. Gente que se fecha em vidro preto e se isola em som alto e celular precisa prestar muito mais atenção pra ajudar o trânsito. É mais difícil. Isso é o que eu acho. E daí o que eu acho? A lei é a lei e se a gente fosse escutar o que cada um acha, onde é que iríamos parar? Na internet.

 

***

 

Você já pensou em morar num trailer? Você já pensou que o passado, o renegado, o esquecido, o que foi recalcado, o que não foi perdoado, o que não pode ser dito, o que não foi esquecido, pode às vezes virar um monstro e vir nos assombrar, e que se a gente bobear ele mata a gente? Por outro lado, se a gente se ligar e fizer o que precisa ser feito e tiver sorte, a vida continua. Em todo caso, já que eu tô aqui, e você está aí e deu tempo de ler isso: boa noite bom dia boa semana feliz natal boas festas boas viagens feliz ano novo. Cuide do trânsito. E se cuide. Um abraço.

Série #1 – não confunda

ontem eu caminhei na chuva

e foi quase como antigamente

só que eu aprendi com o Raul Seixas

que a chuva voltando pra terra traz coisas do ar

e aprendi com a escola e a imprensa e a internet

que o ar está carregado

tem desde cinza de vulcão

até vírus do outro lado da terra

pra não falar em chem trails etc etc etc.

o que me fez cuspir a chuva

que escorria pela minha cabeça e queria entrar na minha boca

lembrei que em brasília em 87

teve um tempo em que chovia todo dia

e eu caminhei muito sob a chuvarada do cerrado

sob o ceuzão enorme abobadado do cerrado

num tempo em que havia talvez um terço ou menos

da poluição sonora e fumacenta que há hoje

depois do milagre da multiplicação dos carros

e lembrando disso eu perdi o meu medo o meu medo o meu medo da chuva

e inventei uma brincadeira

pode entrar quem queira

consiste em uma série de posts

com coisas estranhas entre si

coladas

para vermos o que rola

começamos hoje

com melodrama de tv e jornalismo

bom dia!

 

jornalismo:

Ataques cibernéticos podem afetar suprimento mundial de petróleo

DOHA (Reuters) – Hackers estão bombardeando o setor mundial de energia controlado por computadores, conduzem operações de espionagem industrial e podem causar devastação em todo o planeta caso perturbem o suprimento de petróleo. Executivos de companhias petroleiras alertaram que os ataques estão se tornando mais frequentes, e que seu planejamento está se tornando mais cuidadoso.

 

WASHINGTON (Reuters) – A Lockheed Martin e outras empresas de defesa dos Estados Unidos foram atacadas por hackers que utilizaram uma vulnerabilidade antes desconhecida no Adobe Reader, o mais recente em uma série de persistentes ataques contra os fabricantes norte-americanos de armas, informaram especialistas em segurança na quarta-feira. A Lockheed, maior fornecedora do Pentágono, anunciou ter detectado a tentativa de ataque em suas atividades normais de monitoração, e imediatamente notificou a Adobe. A empresa disse que seus sistemas de informação não chegaram a ser violados.

HONG KONG, 8 Dez (Reuters) – O Alibaba Group quer obter até 4 bilhões de dólares, informaram fontes na quinta-feira, em uma transação que ajudaria o gigante chinês de comércio eletrônico a recomprar a participação acionária de 40 por cento que o Yahoo detém na companhia. Como o Alibaba é uma empresa de capital privado, não há estimativa pública quanto ao valor da participação do Yahoo, ainda que alguns analistas a estimem em pelo menos 9 bilhões de dólares.

GE e Microsoft fazem aliança e8 Dez (Reuters) – General Electric e Microsoft estão formando uma joint-venture para desenvolver e vender softwares destinados a ajudar profissionais da saúde a armazenar, consultar e compartilhar informações sobre pacientes. O negócio, cuja composição acionária será dividida meio a meio, ainda não teve o nome definido. A empresa empregará cerca de 700 pessoas e ficará perto da sede da Microsoft em Redmond (Washington), disseram nesta quinta-feira as companhias.

 

(http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5510706-EI12879,00.html)

 

fiquição…:

Dia 13, mandando bala no Paiol, Jean Garfunkel

Menestrel é uma palavra que vem de antes do Shakespeare e do Chatotorix e passa pelos repentistas nordestinos, pelos rimadores gaudérios, por Oswaldo Montenegro, Renato Russo, Renato Teixeira, Bob Dylan, Jim Morrison, Georges Brassens, Joaquin Sabina, Langston Hughes:

 

Minstrel Man

 

Because my mouth

Is wide with laughter

And my throat

Is deep with song,

You do not think

I suffer after

I have held my pain

So long.

 

Because my mouth

Is wide with laughter

You do not hear

My inner cry.

Because my feet

Are gay with dancing

You do not know

I die.

 

Langston Hughes

 

 

Menestrel

 

Porque minha boca

É larga em riso

E minha garganta

É funda em canto,

Não te dás conta:

Eu sofro

De ter contido minha dor

Tanto.

 

Porque minha boca

É larga em riso

Não ouves – dentro,

Grito socorro.

Porque meus pés

Alegres dançam

Tu não percebes:

Eu morro.

 

***

 

Esse poema foi o primeiro que eu traduzi. Tinha saído na Folha de S.Paulo, traduzido pelo Paulo Henriques Brito, e eu, no auge da arrogância de nunca ter feito isso na vida, achei que não tava legal a tradução e fiz essa aí. Langston era negro e viveu nos EUA numa época aparentemente mais difícil para quem tinha essa cor, os anos 20: um momento cheio de cabarés, corrupção gerada pela Lei Seca, Ku Klux Klan, automóveis e modernismos. Por outro lado, um período animadíssimo. Boardwalk Empire, uma série de TV excelente, é produzida pelo Martin Scorcese, é estrelada pelo Steve Buscemi e num episódio da segunda e atual temporada tem um velho e asqueroso republicano que tem mordomo negro chamado Langston.

 

***

 

Neste domingo, 13 de novembro, 19 horas, o menestrel brasileiro Jean Garfunkel (pronuncia-se, porque o povo escolheu e ele quer, jãn garfúnkel), lançará seu primeiro livro de poemas eou letras de músicas aqui em Curitiba. Depois de trinta anos de músicas, gravadas por Elis Regina etc etc etc, Poemia, sai pela CRIAR Edições, do honorável senhor Roberto Gomes, aqui desta capital que vos fala.

Mestre Vovô Jean-Jean, como é conhecido nas rodas do submundo poético, tem fã-clubes em festivais de música tradicionalista do Rio Grande do Sul, no Festival Guimarães Rosa, em Cordisburgo, etc etc etc, e por motivos talvez familiares ou afetivos ou insondáveis escolheu lançar seu primeiro objeto de papel aqui, na Poláquia.

Conheci o mestre chapeludo numa campanha para prefeito, já lá se vão uns dez anos. De lá pra cá, criamos, junto com a Roberta e o Rettamozo,  uma história de poesia e biodiversidade pra crianças das escolas da rede pública que ficou muito massa. E nos visitamos algumas vezes e bebemos um Metaxa do meu pai, trocando piadas e tristezadas por momentos de amizade boa sobre a Terra.

Ele fez muito mais coisas, música e poesia principalmente, e entre elas uma série de espetáculos musicais de literatura que são espetaculares, com as obras de Guimarães Rosa, Jorge Amado, Dorival Caymmi, etc etc etc.

 

***

 

Como dizíamos, é neste domingo, 19h, no Teatro Paiol, em Curitiba. A Pagu, (sim, aquela atriz famosa e linda),  e eu, (sim, o gaiato), estamos até ensaiando uma participação. Apareça!

 

***

Lançamento do Livro de Jean Garfunkel na capital paranaense

Poemia, aqui me tens...

Etiquetado , , ,

Hoje é o dia do Santo Reis

Enciclopédia Católica define o Dia de Todos os Santos, primeiro de novembro, como uma festa em “honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos”.

***

Prece profana

 

Santo Almáquio livrai-me da AIDS

Santa Radegunda livrai-me da Síndrome da Fadiga Crônica

São Barbásimas livrai-me da Malária Maligna

Santa Bibiana livrai-me da Síndrome de Lou Gehrig

Santa Cineburga livrai-me da Doença de Parkinson

São Ruperto de Salzburgo livrai-me da Alzheimer, Castigo dos Idosos

São Pacômio livrai-me da Ébola, da Hanta e da Mobata

São Botulfo livrai-me da Esclerose Lateral Amiotrópica

Santo Evúrcio livrai-me da Anemia Falciforme

São Barlaão livrai-me do Distúrbio da Atenção Defeituosa

Santa Burgundófora livrai-me da Transcriptase reversa

São Pascoal Bailão livrai-me da Síndrome de Down

São Baraquísio livrai-me da loucura

São Piônio e São Safrônio livrai-me do vírus Sabiá

São Gildas, o Sábio, livrai-me da Síndrome de Klinefelter

Santa Melânia, a velha, livrai-me do Cancro Mole e das Verrugas genitais

São Ticão de Amato livrai-me da Gripe das Galinhas

Santa Cuteburga livrai-me do Mal de Minamata

Santo Anscário livrai-me da Doença de Creuzfieldt-jacob

São Petroco ou Pedrogo livrai-me da Síndrome do Claustro

Santa Ferbuta livrai-me do Vírus da Cegueira dos Rios

Santa Lutgarda livrai-me da Síndrome da Vaca Louca

São Maldegário livrai-me da Fasciíte Necrotizante

São Teodósio das Cavernas livrai-me da Alopacia Areata Universal

Santa Eustóquia livrai-me das Pestes Antigas e das Modernas

Santo Erconualdo livrai-me da Morte Absurda

São Parmáquio livrai-me de Satanás

Deus, meu Senhor, livrai-me do Vosso Reino

                                                                                 também.

Jarbas Medeiros (JM)

***

Em algum lugar entre Manoel Carlos Karam, Kurt Vonnegut e Carlos Drummond de Andrade existe o Jarbas Medeiros. Afinal de contas, foi um documentarista do absurdo, como os dois primeiros, era mineiro, tem um Drummond no projeto gráfico de seu livro Daxx, Zyngg e Sporanox, e é fisicamente parecido com o velho louco de Indiana. Um sujeito que já foi vereador e prefeito de sua cidade natal, São Gonçalo de Sapucaí, no sul de Minas. Foi duas vezes deputado estadual. Foi pintor e poeta. Grandes bosta. Nem por isso seu nome consta entre os sapucaienses famosos na página wiki da cidade. Um tal de Asprilla, que hoje joga no Brasil de Pelotas, tá lá.

***

Francis Messias

 

Sou o quarto Rei Mago

Do Oriente que viu a estrela

Mas não a seguiu. Seria outra

minha peregrinação, pensei.

E desde então nenhuma

outra estrela brilhou

no meu céu.

Não mais.

 

(JM)

***

Gênesis arrevezado

 

Primeiro nasce a asa

depois nasce o pássaro

e seu vôo

primeiro nasce a pétala

depois a rosa

e seu perfume nasce

primeiro o gesto

depois a voz e o canto

primeiro nasce o Paraíso

depois nasce a Morte.

Primeiro a Morte

e a Vida vem depois.

(JM)

***

Amanhã é Dia dos Mortos. Meu pai descobriu que tinha câncer ano passado e hoje lê a Veja, assiste ao Jornal Nacional, bebe vinho e passa bem, obrigado. Santa Quimioterapia, rogai por nós.

***

Daxx, Zyngg e Sporanox

 

quinhentos mundos foram criados

quinhentos mundos foram aniquilados

cem bilhões de estrelas

cem mil deuses foram criados

outros tantos aniquilados

trezentos bilhões de homens

foram criados

trezentos bilhões (e meio)

aniquilados

um trilhão de insetos

um trilhão e algo mais

de insetos

os doze césares, imperadores,

reis, majestades e altezas

foram aniquilados

o chimpanzé Pan troglodytes

já se extinguiu

como a piabinha, a perpitinga,

o roncador, a chuvinha e o foguete

de rabo foram criados

e todos aniquilados

Natália Corrêa andorinha

Aprisionada em alçapão

De ferro morreu

há cem anos

e ontem foi ele

e agora sou eu

e depois você

não mais que um dia

criados e aniquilados

vou bater a caçuleta

pay attention, watch your step

Be brave, bye-bye, so long

“—Bom dia, Sra. Vida!”

“—Boa noite, Sra. Morte!”

Daxx, Zyngg e Sporanox

Bem-vindos sejam!

(JM)

***

Em Portugal, neste dia, as crianças costumam andar de porta em porta a pedir bolinhos, frutos secos e romãs. Santo Samhain, rogai por nós.

***

7 perguntas ao amor

 

Um sonho sem limites? Fantasias de verão? As teias da paixão? Servindo em silêncio? Coração cativo? Corações à deriva? Lágrimas do paraíso?

(JM)

***

São Tim Maia livrai-me do Bode Mé.

Etiquetado , , , , , , , , , , , ,

Tesão de Jogo

Primeiro tempo de Brasil e Paraguai, na Argentina, 17 de julho de 2011, pela TV Galvão, em Curitiba. Neste filme, o dos amigos da Globo, a que eu assisti, o vilão até 20 minutos não foi o Vera nem o Valdez nem o Estigarribia nem o Cáceres. Foi a areia. A areia pode torcer os joelhos e tornozelos dos nossos meninos. Parar a bola, castrar o talento do jogador brasileiro. A partir daí, depois é que entram os paraguaios no meio do caminho.

 

Como que um estádio feito especialmente ou reformado especialmente precisa ter seu gramado esfolado e posto pra fora, pra tomar sol? Se isso fosse na Coréia, na China, nos Estados Unidos, em Dubai. Mas na Argentina. É impressão minha ou alguém ganhou um monte de dinheiro e entregou uma obra absurda? O Brasil tem a chance de fazer coisas ainda mais impressionantes. O cronograma das obras, dizem, nasceu atrasado.

 

Em pelo menos uma cobrança de escanteio, a bola ficou com uma cara, parecendo uma careta de bad boy. O Robinho e o Neymar e o Ganso tão melhores, o Maikon tá pior. Quem sou eu pra dizer isso? Sou brasileiro, oras!

 

Quanto mais zero melhor? Essa coca zero é um produto desnecessário com uma campanha totalmente nada a ver.

 

Vai começar o segundo tempo.

 

o que eu ando fazendo ultimamente




não é um livro de poemas

não é um vídeo de endomarketing

nao é na globo

não é no youtube

não é na cnn

não é a al jazeera

não é a cultura de são paulo

e-paraná

apresenta

orquestra sinfônica do paraná

uma obra em movimentos

documentário inédito

sobre as aventuras

de um grande grupo musical brasileiro

estrelando

Maestro Osvaldo Ferreira

com

Mara Moron, Diretora Artística do Teatro Guaíra

Maria Ester Brandão, Spalla

e Paulo Torres, Spalla

participação especial

Helena Paegle Frufrek, no papel de “a beleza do novo trazendo a luz ao som da marcha fúnebre dedicada aos anos escuros que se vão”

ideia, coordenação, roteiro, direção edição de texto

eu memo

realização

uma lista imensa de créditos com dezenas de profissionais

que você vê antes da cortina final

assista hoje, às 16h, hora de Brasília

transmitido online

em tempo real

em e-paraná

muito agradecido por receber sua atenção

um grande abração aí

R

NADA NESTA MÃO, NADA NESTA OUTRA MÃO

Hoje é dia do ilusionismo, diz o Google. Aniversário do Houdini, o cara que se enrolava todo e cobrava ingresso das pessoas pra verem ele se desenrolar.

Um dia para lembrar talvez de teorias conspiratórias que ligam Bush com BinLaden, tsunami com GM, CNN com com o lado negro da força.

Porque no contraplano da maré negra de horror, planos gerais de porta-aviões norteamericanos e helicópteros, detalhes de soldados desembarcando, salvando o dia no país do sol nascente.

Enquanto isso, não muito longe dali, o desenho de um obamacaco causa uma reação mau humorada e obscurantista, descolando Solda de um jornal que cada vez menos gente paga pra ver, e agora, menos ainda. Pra marca Solda não podia haver coisa melhor. Pro homem de carne, osso e contas a pagar, pode representar um momento de turbulência. Que também há de passar.

Outra maneira de ver é: se fosse no Irã e alguém tivesse confundido um desenho dele com o de uma aiatolanta, a situação, aí sim, tinha ficado bem preta.

Ilusionismo? Perspectivismo? 24 de março, dia de apreciar a arte sabendo que é de mentira. Dia de saber que é arte o jornalismo verdade.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.