Nunca Antes Na História Da Revista Time

Ainda não assisti a nenhum filme do Michael Moore. E concordo com várias das teses dele. As grandes corporações em geral ferram os pequenos humanos. A cultura da violência corrói a sociedade estadunidense, etc., etc., etc. Talvez por isso eu tenha sentido um certo tédio a priori de assistir a seus filmes. Parece desnecessário. Provavelmente estou perdendo um bom divertimento. Pelo menos a julgar pelo trailer de seu novo filme: Capitalism: A Love Story.

Neste último, ele toca num ponto que para mim é evidente e ao mesmo tempo assombroso: como as pessoas ainda levam a sério o discurso dos grandes bancos sobre seriedade, responsabilidade, etc., etc., etc., depois dos eventos financeiros do ano passado, em que eles precisaram ser socorridos pelo governo com dinheiro público. Muito dinheiro.

Por falar nisso, tenho a mesma dificuldade de entender como as pessoas, agora no Brasil, continuam votando nos mesmos políticos, especialmente para os cargos de vereadores, prefeitos, deputados e senadores. É costume? É medo de que ninguém seja eleito e o mundo acabe? É masoquismo?

Claro que a eleição do Lula foi diferente. Doa a quem doer. E claro que não existe nenhum candidato hoje que chegue aos pés dele em termos de representatividade. Entre A Dilma e o Serra, voto no Gabeira. Oi? Ele não é candidato? E daí? O voto é meu, certo?

Se o Lula estivesse no páreo, eu votava nele de novo. O Michael Moore sabe porque, olha só:

Quando os brasileiros elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente pela primeira vez em 2002, os barões assaltantes do país verificaram nervosamente os medidores de combustível em seus jatos particulares. Eles tinham transformado o Brasil em um dos lugares de maior desigualdade sobre a Terra, e agora parecia que a hora do troco. Lula, 64 anos, era um verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina – na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores – que tinha sido preso por liderar uma greve.

No momento em que Lula finalmente conquistou a presidência, após três tentativas fracassadas, ele era uma figura familiar na vida nacional brasileira. Mas o que o levou para a política em primeiro lugar? Foi seu conhecimento pessoal de quão duro muitos brasileiros têm de trabalhar para sobreviver? Foi o fato de ter sido forçado a sair da escola após o quinto ano para sustentar sua família? Ter trabalhado como engraxate? Ter perdido parte de um dedo em um acidente de fábrica?
Não, foi quando, aos 25 anos, viu sua esposa Maria morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com seu filho, porque não podiam pagar cuidados médicos decentes.
Há uma lição aqui para bilionários do mundo: deixem as pessoas terem bons assistência de saúde, e elas causarão muito menos problemas para vocês.
E aqui está uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula – ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 que termina este ano – é que, mesmo enquanto ele tenta empurrar o Brasil para o Primeiro Mundo com programas sociais do governo como o Fome Zero, que visa acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação oferecida aos membros da classe trabalhadora do Brasil, os EUA parecem mais com o antigo Terceiro Mundo a cada dia.
O que Lula quer para o Brasil é o que costumamos chamar o sonho americano. Por outro lado, nós, os EUA, onde 1% (os mais ricos) agora possui mais riqueza financeira do que a soma dos 95% mais pobres, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente se tornando mais parecida com o Brasil.

Michael Moore

(texto do cineasta Michael Moore apresentando o líder de maior influencia no mundo em 2010 segundo a Time Magazine. Saiu hoje, 29 de abril de 2010)

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9 comentários em “Nunca Antes Na História Da Revista Time

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  1. o problema é que o Sr. Moore nao sabe muita coisa sobre o que se passou DE FATO no governo Lula! e quer saber? nem nos!

    o Brasil pode ate ter melhorado – e Luiz Inacio parece melhor que qualquer PSDbista – POREMMM.. a verdade resta obscura!

    foram as açoes do presidente ou ( pra dar um ex dentre mtos) o comércio com a China que melhorou ( um pouquinhozinho) a situaçao do Pais?

  2. Enquanto o PAC mal conseguiu investir perto 20 bilhões, apenas 20 mil pessoas no Brasil ganharam 160 bilhões (banqueiros e especuladores, filhos dos banqueiros e especuladores, parentes dos banqueiros e especuladores). Só na especulação o Brasil está ficando com os EUA (ou vice-versa). Outra coisa: nós exportamos matéria bruta, que vale quase nada. Os EUA vendem IDÉIAS, que custam o preço de um ano de venda de commodities do Brasil. Fora isso, os EUA vão adiante independente de qual governo está lá. Aqui, demoramos, no mínimo, 3 décadas de atraso pra andar um terço do que eles progridem. E o Michael Moore que vá se abraçar com os esquerdopatas… =) Abraço!!!

  3. exato, Fabiano, concordo com você no principal, que é o sentimento, porque toda razão é apenas a mais poderosa ferramenta. agradeço sua visita e o trabalho de postar o comentário. pra mim também é muito claro, tô com você: a verdade resta obscura. Para o gaiteiro e para meu amigo Canales, valeu a presença! e aquele abraço!

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